
A cena
Numa reunião com colegas do México, alguém da sua equipe acompanha tudo. Concorda com a cabeça, anota, entende até as piadas.
Até o momento de argumentar.
Aí volta para o português. Ou para o inglês. Ou fica em silêncio e deixa para mandar um e-mail depois.
Por que quase ninguém percebe
É uma cena comum. E quase nunca aparece numa avaliação, porque a pessoa "entende espanhol". No currículo, está escrito "intermediário" ou "avançado". Na reunião, ela realmente acompanha. O que falta não aparece numa prova de leitura nem numa conversa social: aparece quando é preciso discordar, propor ou negociar.
Quem não argumenta não influencia
Numa reunião, a decisão fica com quem conseguiu defender a ideia na língua da mesa. Quem só acompanha vira ouvinte, mesmo quando tem a melhor proposta da sala.
Entender e falar são competências diferentes
Para o brasileiro, entender espanhol chega rápido: as palavras se parecem e a leitura flui. Falar exige outra coisa, e essa outra coisa é método. Construir uma frase com estrutura, sustentar uma opinião, responder a uma objeção sem traduzir de cabeça e escolher o registro certo para cada interlocutor.
A pergunta útil
Por isso, perguntar "você fala espanhol?" diz pouco. A pergunta útil é: em que momento da reunião essa pessoa deixa de participar?
Na sua equipe, quem acompanha as reuniões em espanhol, mas não argumenta nelas?
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